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Os investimentos das tv abertas em novos canais na tv paga

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O movimento parece contraditório à primeira vista (investir em canais “fechados” ou lineares enquanto o modelo tradicional de TV a cabo cai), mas na verdade é uma estratégia de sobrevivência e adaptação chamada “Ominichannel” (estar em todos os lugares).

O que está acontecendo não é um investimento na “TV a Cabo velha” (aquela do pacote caro), mas sim na criação de conteúdo que funciona tanto no cabo, quanto no streaming e na futura TV 3.0.

Aqui está uma análise detalhada desse cenário, focando no caso do SBT

O “Pulo do Gato” do SBT: Canais FAST e +SBT

O SBT não está lançando canais pagos no modelo antigo (onde a operadora pagava caro para ter o canal). Eles estão apostando nos Canais FAST (Free Ad-supported Streaming TV).

  • O que são: São canais com programação 24h, iguais aos da TV a cabo, mas transmitidos via internet e gratuitos (sustentados por anúncios).

  • A Estratégia: O SBT lançou a plataforma +SBT (streaming próprio). Dentro dela, criou canais temáticos usando seu arquivo histórico.

    • +Silvio Santos: 24h de programas clássicos do Silvio.

    • +Novelas: Focado na dramaturgia da casa e mexicanas.

    • +TV Zyn: Focado no público jovem/infantil (que o SBT sempre dominou).

    • +Saudade: Programas históricos.

  • Por que fazer isso? O custo é baixíssimo (o conteúdo já pertence a eles) e gera uma nova receita de publicidade. Além disso, esses canais podem ser “vendidos” para operadoras (como a Sky ou Claro) ou fabricantes de TV (Samsung TV Plus) para compor a grade deles, mantendo a marca SBT relevante mesmo para quem não liga na antena comum.

A TV 3.0 (DTV+): A Revolução da TV Aberta

A TV 3.0 (agora chamada oficialmente de DTV+ no Brasil) é o que vai salvar as emissoras abertas de virarem irrelevantes. Prevista para começar a implementação forte em 2025/2026, ela muda o jogo:

  • Qualidade de Streaming na Antena: A TV aberta passará a ter qualidade 4K e som imersivo, competindo tecnicamente com a Netflix/Disney+.

  • Publicidade Direcionada: Hoje, o comercial do SBT vai para todo mundo igual. Com a TV 3.0, a emissora poderá mandar um comercial de carro para o bairro X e um de supermercado para o bairro Y, cobrando mais caro por essa precisão (igual a internet faz).

  • Interatividade Real: Você poderá comprar o produto anunciado ou votar numa enquete usando o controle remoto, sem precisar pegar o celular. Globo esta a procura de conteúdos desse tipo em feiras de televisão para sua futura programação.

Por que investir em “Canais Fechados” se o Cabo está morrendo?

A TV a cabo tradicional (via satélite/cabo coaxial) está perdendo milhões de assinantes, mas as Operadoras (Claro, Vivo, Sky) estão virando “Super Agregadores”.

  • Elas agora vendem “hubs” de conteúdo. O SBT e a Globo querem que seus canais (SBT News, +SBT, GloboNews, Viva) estejam dentro desses hubs.

  • Notícias 24h: O SBT tem investido pesado em jornalismo (SBT News) porque notícias ao vivo são um dos poucos conteúdos que ainda seguram as pessoas na TV linear (ao vivo). É uma briga direta com GloboNews, CNN Brasil e BandNews.

O Cenário Resumido

Tecnologia Situação Atual Estratégia das Emissoras (SBT/Band/Record)
TV a Cabo Em queda livre (Cancelamentos) Usar apenas como “vitrine” de luxo para alcançar classes A/B.
Streaming Em alta, mas saturado Criar plataformas próprias (+SBT, Globoplay) para não depender do YouTube/Netflix.
TV 3.0 Em implementação (Futuro) A grande aposta. Transformar o sinal aberto em algo “inteligente” e conectado.

 A Simba Content é uma peça fundamental para entender esse quebra-cabeça econômico da TV brasileira. Ela é o exemplo perfeito de como concorrentes ferrenhos se unem quando o assunto é sobrevivência financeira.

Aqui está o papel da Simba nesse cenário de mudanças (TV paga em queda vs. Streaming e TV 3.0):

O Que é a Simba? (O “Bloco dos Três”)

É uma joint venture (empresa conjunta) formada em 2016 por SBT, Record e RedeTV!.

  • O Objetivo Original: Quando o sinal analógico foi desligado e a TV virou 100% digital, a lei mudou. Antes, as operadoras de TV a Cabo (Net/Claro, Sky, Vivo) eram obrigadas a carregar os canais abertos de graça (must-carry). Com a TV digital, as emissoras ganharam o direito de cobrar por esse sinal, assim como a Globo já fazia.

 A “Guerra” da TV Paga

Você deve lembrar de uma época, por volta de 2017, em que SBT, Record e RedeTV! “sumiram” da grade da Sky e da Net. Foi a Simba em ação.Elas exigiram pagamento. As operadoras se recusaram. O sinal foi cortado.

No fim, as operadoras cederam. Hoje, parte da sua fatura de TV por assinatura vai para a Simba, que reparte o dinheiro entre as três emissoras.

A Importância: Esse dinheiro virou uma receita fixa e milionária para o SBT, Record e RedeTV!, ajudando a financiar os investimentos atuais (como o +SBT e o Record Plus).

 A Promessa Não Cumprida: Canais Próprios

Quando a Simba foi criada, a promessa era usar parte do dinheiro para criar canais exclusivos para a TV paga (estilo Viva ou canais de reprises), que seriam programados com o arquivo das três emissoras juntas.

  • Por que não aconteceu? A rivalidade falou mais alto. É muito difícil para o SBT, Record e RedeTV! concordarem sobre qual programa passar, quem ganha destaque, etc. Em vez de canais novos lineares, a Simba focou em distribuição de filmes e licenciamento.

A Simba no Mundo do Streaming e TV 3.0

Com a TV a Cabo perdendo força, a estratégia da Simba teve que mudar para não perder relevância (e dinheiro):

  • Agregadora de Conteúdo: A Simba hoje atua comprando pacotes de filmes e séries internacionais para distribuir entre os três sócios. Isso barateia o custo. Um filme que passa na tela do SBT e depois na Record pode ter sido negociado pela Simba.

  • Licenciamento para Streaming: A Simba negocia novelas e séries das três emissoras para gigantes como Netflix e Amazon Prime Video. Exemplo: Quando você vê Carrossel ou Os Dez Mandamentos na Netflix, muitas vezes essa negociação passou pela estrutura ou lógica de valorização que a Simba implementou.

  • O Conflito de Interesses: Hoje, o cenário é mais complexo porque cada uma lançou seu próprio streaming:

    • SBT tem o +SBT (Grátis/Ad-supported).

    • Record tem o Record Plus (Modelo híbrido Pago/Grátis).

    • RedeTV! tem o RedeTV! Go.

O Paradoxo do Futuro

A Simba foi criada para tirar dinheiro da TV a Cabo. Se a TV a Cabo morrer, a “galinha dos ovos de ouro” da Simba morre junto. Por isso, é provável que vejamos a Simba tentar evoluir para um “Hub de Publicidade” na TV 3.0.

  • Imagine: As três emissoras usando a mesma tecnologia de anúncios direcionados na TV 3.0 para vender pacotes publicitários gigantes que atinjam quase 40% da audiência nacional de uma vez só.

Resumo da Ópera: A Simba serviu para garantir que SBT, Record e RedeTV! fossem remuneradas pelo seu sinal digital. Agora, ela funciona mais como um “banco” que financia as estratégias individuais de cada uma e ajuda a comprar filmes mais baratos.

Você acha que faria sentido a Simba lançar um streaming único juntando o acervo das três (tipo um “Hulu brasileiro”), ou você prefere o modelo atual onde cada uma tem seu app (+SBT, Record Plus)?

Você acha que faria sentido a Simba lançar um streaming único ?

Você acha que faria sentido a Simba lançar um streaming único para as 3 ?

Sim, juntando o acervo das três (tipo um “Hulu brasileiro”)

Não, prefiro o modelo atual onde cada uma tem seu app,

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